Lugares da Bíblia - Pompeia e Herculano: Sodoma e Gomorra do primeiro século?Sodoma e Gomorra, como evidencia Gênesis, foram consumidas pela ira de Deus em fogo e enxofre caídos do céu – o que a arqueologia confirmou recentemente. Pompeia e Herculano, cidades do Império Romano na região da atual Nápoles, na Itália, foram completamente destruídas por uma violenta erupção do vulcão Vesúvio no século 1, em um fenômeno bem semelhante, sem que seus habitantes e turistas tivessem tempo de planejar uma fuga. As duas localidades italianas não constam do texto bíblico, mas algumas curiosidades ligam seu fim às cidades consumidas pelo fogo no Antigo Testamento – principalmente a extrema devassidão de habitantes e frequentadores.m 79 depois de Cristo (d.C.), Pompeia e Herculano, distantes poucos quilômetros da atual Nápoles, na Itália, eram dois grandes balneários do Império Romano. Ambas eram frequentadas pelas altas classes romanas, que nelas passavam longos períodos de descanso, ou buscavam o prazer físico desenfreado. Entre quatro paredes ou a pleno céu aberto, a jogatina, a pornografia e a promiscuidade reinavam, com participantes de todas as idades.
Alguns comparam Pompeia e Herculano a lugares modernos em que a luxúria é bem evidente, como a norte-americana Las Vegas e a espanhola Ibiza. Contudo, achados arqueológicos esclareceram não só a famosa destruição local como revelaram ao mundo que essas atuais “cidades do pecado” citadas não chegavam aos pés da imoralidade praticada na região consumida pelo Vesúvio. Bares e bordéis eram maioria entre os estabelecimentos locais. Ídolos e pinturas escancaravam o sexo sujo para onde se olhasse.
Mar de lama fervente
Em uma ensolarada manhã do ano 79, uma grande explosão no topo arborizado do grande Vesúvio surpreendeu quem estava perto do vulcão. Ele havia dado sinal de vida em uma erupção bem menor no ano 62, mas não dera nenhum sinal de atividade até aquele fatídico dia.
A maioria das pessoas nas duas cidades não teve tempo de empreender uma fuga calculada levando seus mais preciosos pertences. Somente a roupa do corpo as acompanhava na correria que poucos puderam empreender. Relatos falam em 30 mil mortos repentinamente.
Ambas as cidades e toda exuberante natureza ao redor foram quase instantaneamente consumidas em uma mistura de cinzas, lava incandescente e terra que descia pelos leitos dos rios próximos à montanha, em uma velocidade tal que impediu uma evacuação eficaz. Muitos que não morreram assados em segundos pela mistura infernal, agonizaram e foram abatidos pela extremamente venenosa mistura de gases expelidos pelo vulcão.
A violência da avalanche foi tamanha, que Herculano ficou sob uma camada de cinzas de 12 a 18 metros de altura, enquanto a de Pompeia, um pouco mais distante, tinha 7 metros. Os poucos relatos dos sobreviventes, entre eles o advogado e escritor Plínio, o Moço, diziam respeito a uma colossal nuvem negra que tomou quilômetros de extensão e “transformou o dia em noite, tal como num quarto trancado”. Pessoas foram pisoteadas por outras e, quando a poeira mortal dissipou após vários dias, havia gente e animais mortos mesmo a quilômetros da área onde antes estavam duas ativas cidades.
Nos anos seguintes, Pompeia e Herculano foram completamente esquecidas pelos romanos. Mais de 1,6 mil anos depois, foram encontradas por acidente, durante escavações para obras. A devassidão mostrada nas esculturas e pinturas do local constrangem algumas pessoas até os dias de hoje, o que as tornou proibidas para exibição durante algumas épocas – mesmo hoje, alguns locais são vedados à visitação de menores de idade. Até mesmo sexo com crianças e animais em festas deploráveis são mostrados.
Moldes mortuários
A maioria dos mortos foi surpreendida pela lama mortal, cozida instantaneamente pela mistura que invadiu casas e ruas. Quando os arqueólogos escavavam as cinzas solidificadas, após milhares de anos, curiosamente achavam buracos que não conseguiam explicar. Os formatos eram irregulares e intrigantes. Eis que alguém teve uma ideia bem interessante: injetou gesso nas cavidades e só depois escavou em volta. O gesso endurecido tomou a forma do que formara aqueles buracos: corpos de pessoas e animais sepultados pelo material do Vesúvio, que se desintegraram com o tempo, deixando o formato no solo. Até hoje, essas estátuas mortuárias (como a da foto acima) – atualmente feitas com resinas, mais resistentes que o gesso – mostram como as vítimas estavam na hora da morte.
Hoje, as escavações já deram conta de revelar 80% das duas cidades, e muitas partes delas estão disponíveis a quem quiser testemunhar como lugares construídos e mantidos com o único objetivo do pecado foram consumidos pelo fogo como Sodoma e Gomorra milênios antes.
Pompéia: Cidade Eterna
Há quase 2 mil anos, uma erupção vulcânica soterrou Pompéia.Suas ruínas permitem conhecer o dia-a-dia de uma cidade romana - como se ela continuasse existindo para sempreFoi a maior erupção do Vesúvio de que se tem notícia. Na manhã de 24 de agosto do ano 79, uma chuva de cinzas e pedras que saia da cratera do vulcão apanhou de surpresa os moradores das cidades de Pompéia, Herculano e Stabia. Localizadas no golfo de Nápoles. no Sul da Itália as três foram totalmente soterradas. Pompéia, a 23 quilômetros de Nápoles, com uma população estimada entre 10 e. 15 mil habitantes, era a maior delas. Dias antes da catástrofe, os pompeianos ouviram ruídos que vinham do solo e para os quais não encontravam explicação.
Provavelmente, a julgar pela ausência de precauções, eles nem sequer suspeitavam de que a montanha onde plantavam vinhas abrigava um perigoso vulcão. As pedras, chamadas lapíli (do italiano lapilli, pedrinhas), que a cratera expelia, alcançavam quilômetros de altura e algumas tinham espessura de 8 metros. Normalmente, os lapíli são do tamanho de uma avelã. Quem conseguiu sobreviver às pedradas acabou morrendo por asfixia: o Vesúvio soltava um gás altamente tóxico e letal. No dia 27, as cidades estavam sepultadas debaixo das cinzas e pedras. Os sobreviventes que retornaram em busca de seus pertences não encontraram mais nada.
Alguns séculos mais tarde, nem era possível precisar o local exato onde se ergueram. Só no século XVI é que foram descobertos vestígios das ruínas de Pompéia, quando o arquiteto italiano Domenico Fontana tentou abrir um túnel sob o monte La Civita; ele pretendia construir um canal que levasse a água do rio Sarno para a cidade vizinha de Torre Annunziata. Passaram-se mais dois séculos até que as pesquisas na área começassem. Em 1738, por ordem do rei Carlos III de Espanha cujos domínios incluíam Nápoles ,o engenheiro Rocco Giacchino de Alcubierre iniciou escavações sistemáticas onde antes se erguera Herculano, a 8 quilômetros de Nápoles.
Dez anos depois, passaram a escavar em outro local, que só em 1763, por meio de uma inscrição, foi identificado como Pompéia. Os arqueólogos contratados por Alcubierre encontraram também o primeiro cadáver e quanto mais avançavam no trabalho outros apareciam. Todos transformados em estátuas de pedras. São famosas as de uma mãe que amamentava o filho, a de um cão preso a correntes e as de três jovens mulheres surpreendidas na fuga da Vila dos Mistérios como se chamava o templo onde se celebravam os cultos ao deus Dioniso. A posição em que foram encontrados os corpos indica a luta que travaram para se livrar da morte.
Esses achados causaram grande impacto e não era para menos. Pela primeira vez vinha a público a imagem concreta de uma cidade romana que não sofrera as mudanças que o tempo e as gerações teriam nela produzido. A princípio e por um bom tempo pensou-se que seus habitantes tinham alto nível cultural e artístico devido às esculturas de bronze e mármore e aos objetos de prata e vidro ali encontrados. Mas no decorrer das investigações ficou provado, ao contrário, que os cidadãos de Pompéia eram provincianos encerrados nos muros da pequena cidade, de onde só saiam para fazer negócios.
Uma inscrição na casa de Vedio Sirico, um rico comerciante local, dizia: “Salve o lucro”. Para a aristocracia romana o patriciado lucro significava aumento de patrimônio uma verdadeira obsessão na época. Os habitantes de Pompéia eram uma mistura de sanitas povo itálico que ocupou a região no século V a.C., veteranos das regiões romanas isto é, soldados que recebiam lotes de terra como recompensa e ricos aristocratas interessados em especulação imobiliária e em construir casas de veraneio. As cidades e vilas da região da Campânia, Pompéia entre elas, eram inicialmente aliadas de Roma? mas no século I a.C. rebelaram-se porque queriam ter representação política junto ao Império romano. Derrotadas, foram transformadas em colônias e o latim passou a ser a língua oficial em substituição ao osco, idioma falado até então em Pompéia.
As pesquisas arqueológicas revelaram que a sociedade pompeiana, como qualquer outra do Império romano, apresentava grandes contrastes e diferenças de classe: os escravos e plebeus trabalhavam para os patrícios e o sonho dos cativos, quando conseguiam a liberdade, era ganhar dinheiro suficiente para comprar seu próprio escravo. Pompéia vivia basicamente do comércio de azeite e do vinho que produzia. Sua localização estratégica, entre o mar e a foz do rio Sarno, facilitava a exportação desses produtos para cidades do Mediterrâneo. No século II a.C., o comércio ganhou impulso e isso se refletiu de imediato nas construções, que aumentaram em número e em luxo.
As escavações mostraram também que os moradores de Pompéia veneravam os deuses oficiais romanos, tanto que havia templos em homenagem a Apolo, Júpiter e Vênus, a quem ofertavam orações e bens. Em troca, eles acreditavam receber paz de espírito. Às divindades cabia a responsabilidade de dirigir a vida das pessoas e cuidar para que os costumes não se tornassem demasiadamente devassos. A idéia muito comum de que Pompéia era o paraíso do ócio e das bacanais do Império é hoje contestada.
Ela nasceu da descoberta de desenhos obscenos, símbolos fálicos e cenas eróticas pintados nas paredes de bordéis, que aguçaram a imaginação dos escritores. A partir daí, eles construíram toda uma história na qual os habitantes de Pompéia aparecem como pessoas dissolutas. Na verdade, bordéis também fizeram parte de sociedades conservadoras e Pompéia nada mais foi que uma cidade representativa da sociedade romana da Antiguidade. Seja como for. as paredes dos bordéis são uma das atrações que levam mais de 1 milhão de turistas anualmente às ruínas da cidade. A outra grande atração fica por conta das casas, em sua maioria luxuosas e espaçosas, todas com um jardim no meio. Por meio delas, pode-se reconstruir a típica casa romana da classe média abastada ou rica.
No romance Satyricon o escritor romano Petrônio, que morreu no ano 66, retrata bem os usos e costumes característicos dos novos-ricos que moravam em Pompéia poucos anos antes da erupção do Vesúvio. Estudiosos modernos concordam. “Ali, fortunas se faziam da noite para o dia e da mesma forma aconteciam as falências. Isso talvez explique por que os pompeianos tinham como doutrina viver intensamente o momento presente”, afirma o arqueólogo Norberto Luiz Guaraniello 29 anos, professor da Universidade de São Paulo, que realizou pesquisas arqueológicas em Pompéia no ano passado.
As descobertas dos pesquisadores desvendaram muitos aspectos do cotidiano de Pompéia e reconstituíram os seus derradeiros dias. Naquela manhã de 24 de agosto de 79, as padarias, por exemplo, estavam em plena atividade. Moinhos, máquinas de misturar farinha, fornos e até pões carbonizados testemunham isso. A cidade, que mal tinha se recuperado da destruição causada por um terremoto dezessete anos antes, possuía também numerosas oficinas de ferreiros, o que prova o grande domínio de técnicas de artesanato. As oficinas dos escultores, joalheiros? as lojas que vendiam alimentos, o mercado, as fábricas de lâmpadas a óleo ilustram outros aspectos da vida dos cidadãos locais. Também foi possível saber que uma das termas da cidade ficava aberta à noite e era iluminada por cerca de mil lâmpadas a óleo. Tanto para homens quanto para mulheres, as termas funcionavam como uma espécie de clube onde as pessoas se encontravam.
Outra descoberta importante dos arqueólogos foram os grafitos que se espalhavam por toda a cidade de dar água na boca aos melhores grafiteiros das metrópoles do século XX. Havia inscrições para todos os gostos: desde os que anunciavam a troca de um amante por outro até citações, nem sempre exatas porque escritas de memória, de poetas como Virgílio. Além disso, nos muros das casas, edifícios públicos e até nas sepulturas gravavam-se anúncios de combates de gladiadores e muita propaganda eleitoral. Todos os anos a população elegia os duúnviros as duas autoridades mais importantes da cidade, equivalentes aos cônsules romanos e dois edis espécie de vereadores que cuidavam da inspeção e conservação dos edifícios públicos.
Por isso, um com número de pessoas trabalhava à noite fazendo propaganda de candidatos. “Eles trabalhavam em grupos”, afirma o professor Guaraniello. “Um segurava a escada, outro a lanterna, um terceiro escrevia frases e havia os que depois das eleições limpavam os muros”, explica ele. Mas, além de bons grafiteiros, ao que parece os pompeianos eram também bons de briga. Pelo menos é o que se deduz de um episódio narrado pelo historiador romano Cornélio Tácito (56-120). Uma luta entre gladiadores de Pompéia e da cidade próxima de Nocera, no ano 59, acabou em tumulto generalizado das duas torcidas.
Entre mortos e feridos, as baixas foram maiores do lado dos noceranos. Por isso, o anfiteatro de Pompéia, palco das lutas, ficou fechado por um bom tempo. A cidade tinha ainda dois teatros: um com capacidade para 5 mil pessoas. onde se representavam comédias, e outro menor, o odeon, que abrigava 1500 pessoas, onde aconteciam os espetáculos musicais. No que era considerado o centro pulsante da cidade, ficavam o fórum, os edifícios públicos, o mercado, o banheiro público e os templos, além de uma grande lavanderia e tinturaria. Comandada por uma mulher, coisa rara na época, de nome Eumachia, supõe-se que ali era tingida toda a lã de carneiro que a cidade produzia.
Com base nas reconstituições que as pesquisas arqueológicas proporcionaram, o cinema produziu a partir da década de 20 muitos filmes épicos que retrataram com fidelidade os usos e costumes da história romana da época e a tragédia que soterrou Pompéia. Os últimos dias de Pompéia é um filme que já teve quatro versões: a primeira em 1926 e a última em 1983, esta uma minissérie para a televisão. Se, de um lado, as produções cinematográficas eram grandiosas, de outro a vasta literatura deixa a desejar. Assim, o documento considerado de maior valor histórico foi escrito por Plínio, o Jovem, 25 anos depois da tragédia.
Em duas cartas que enviou ao historiador Tácito, Plínio descreve a morte de seu tio, Plínio, o Velho. Ambos se encontravam na cidade de Miseno, numa das pontes da baia de Nápoles, quase em frente a Pompéia, quando viram a erupção. Plínio O Velho, que além de comandar a frota romana foi autor de uma enciclopédica História Natural, resolveu ver de perto o que acontecia e acabou morrendo na praia de Stabia, asfixiado por gases tóxicos. As cartas são consideradas uma reportagem fiel do que se passou em Pompéia naqueles dias. Depois da erupção de 79, o Vesúvio irrompeu ainda nada menos que trinta vezes o episódio mais recente ocorreu em 1944. Mas nunca com a violência que sepultou Pompéia.
Após a erupção do Monte Vesúvio, em 24 de agosto do ano 79, toda a cidade de Pompeia, na baía de Nápoles, na Itália, foi sepultada e esquecida até meados do século 18. Hoje, é um dos sítios arqueológicos mais emblemáticos do mundo e ocupa um lugar especial na imaginação das pessoas.
Quando o gás vulcânico e as cinzas atingiram Pompeia e selaram seu destino, a cidade foi “pausada” no tempo. Quando o sítio foi redescoberto, o seu excelente estado de conservação se tornou aparente. Em termos de volume de dados arqueológicos detalhados, nenhum outro sítio arqueológico pode rivalizar com Pompeia.
Esta lista contém 10 fatos interessantes que permitirão que recriemos em nossas mentes alguns detalhes fascinantes desta incrível e lendária cidadeAs escavações em Pompeia identificaram cerca de 25 edifícios onde a prostituição era praticada. A maioria destes lugares era composta apenas por um quarto individual, mas há um edifício conhecido como Lupanar (“lupa” em latim significa loba e é uma gíria para prostituta), que era relativamente grande e altamente organizado.
O Lupanar tem dois níveis, com cinco quartos em cada um deles. Os arqueólogos acreditam que este edifício funcionava como um bordel desde o início. O interior é decorado com pinturas eróticas que visavam provocar a imaginação dos clientes.
Com base nos estudos de nomes das prostitutas preservados em grafite, acredita-se que elas eram escravas, a maioria grega ou oriental. A taxa cobrada era relativamente razoável: o equivalente a alguns copos de vinho.Pompeia ainda preserva um grande número de graffiti e pinturas em suas parede, que oferecem-nos uma rara oportunidade de ler diretamente as palavras e pensamentos da sociedade romana antiga. A natureza dessas inscrições é ampla, variando de mensagens privadas até diversos tipos de comunicações, tais como avisos eleitorais. Abaixo, alguns exemplos:
“Eu não me importo sobre a sua gravidez, Salvilla; Eu a desprezo”. [Mensagem privada]
“Se você vai lutar, saia!” [Escrito na parede de uma taberna]
“O grupo de gladiadores de Aulus Suettius Certus vai lutar em Pompeia em 31 de maio. Haverá uma caça e barracas”. [Anúncio]
“Parede, estou espantado que você não tenha caído em ruínas por suportar os rabiscos tediosos de tantos escritores”. [Encontrado em quatro paredes diferentes]
“Myrtis, você chupa bem”. [Encontrado em um prostíbulo]
Há também uma série de anúncios eleitorais, normalmente pintados nas paredes em locais centrais e áreas ocupadas para maximizar sua exposição. Nem todos eram favoráveis aos candidatos. Uma amarga ironia era praticada com frequência:
“Todos os bebedores boêmios pedem que você eleja Marcus Cerrinius Vatia como magistrado da cidade”.
“Os pequenos ladrões pedem que você eleja Vatia como magistrado da cidade”.Embora Pompeia seja identificada como uma cidade romana, os arqueólogos têm boas razões para acreditar que o local tenha sido anteriormente ocupado pelos gregos. Os mais antigos vestígios arquitetônicos da cidade, datados do século VI aC, são fragmentos de um templo grego dórico.
Isto é consistente com o fato de que durante o século VI aC, a área costeira onde Pompeia está localizada teve assentamentos de vários postos avançados gregos. Pompeia tornou-se parte do mundo romano alguns séculos mais tarde.
Há evidências de ocupações ainda mais antigas também, mas os vestígios arquitetônicos parecem indicar que os gregos foram o primeiro grupo que conseguiu construir edifícios ainda identificáveis hoje. Os colonos originais, quem quer que fossem, não perceberam que a terra que ocupavam havia sido formada por uma erupção anterior do VesúvioA impressionante fertilidade do solo era, de fato, o resultado de material vulcânico depositado pela atividade do Vesúvio. Seria interessante saber quantas comunidades antes de Pompeia sofreram o mesmo destino violento.A maioria de nós já ouviu falar sobre a erupção devastadora que enterrou Pompeia, mas é menos conhecido o fato que a cidade recebeu alguns alertas precoces sobre o desastre que estava por vir. Em 62 dC, Pompeia foi seriamente danificada por um terremoto.
Seus habitantes não sabiam a razão por trás disso, mas nós sabemos: o choque foi o resultado de uma pluma de magma em movimento sob o Monte Vesúvio. Durante os anos anteriores à erupção, Pompeia foi afetada por terremotos menores de forma bastante frequente. O Vesúvio estava prestes a acordar.Plínio, o Jovem testemunhou a erupção de uma distância segura e escreveu o que viu, deixando para nós um registro em primeira mão valioso e realmente vívido da erupção que enterrou Pompeia. Plínio estava hospedado em Misenum, uma cidade localizada na baía de Nápoles, no lado oposto de Pompeia.
De acordo com seu relato, uma nuvem de forma estranha sobre a localização de Pompeia chamou sua atenção durante o início da manhã de 24 de agosto de 79. Plínio descreveu a nuvem como um guarda-chuva com aparência de pinho com um tronco longo vertical e um topo plano. Seu relato afirma que ele sentiu uma série de terremotos durante a noite.
Ao amanhecer de 25 de agosto, ele deixou a casa onde estava vivendo, com medo de que ela poderia entrar em colapso. Ele também viu o mar sendo sugado a partir da costa, como resultado de outro forte terremoto, “deixando as criaturas do mar encalhadas na areia seca”.As águas voltaram para a costa depois de um tempo. Mais tarde, o vento mudou e trouxe a nuvem vulcânica em cima de Misenum, deixando a cidade na escuridão.É um fato bem conhecido que a erupção do Monte Vesúvio teve uma força cataclísmica, mas quão forte exatamente? Perguntas como esta nunca são fáceis de responder. A melhor estimativa, neste caso, afirma que as erupções tiveram uma força de 500 vezes a da bomba atômica lançada sobre a cidade de Hiroshima, no Japão.
O poder devastador do Monte Vesúvio foi considerado proverbial por algumas pessoas. Martial, um antigo poeta romano, escreveu: “Tudo em volta do Vesúvio está submerso em chamas e cinzas tristes; nem mesmo os deuses acima gostariam de ter tanto poder” (Epigramsa 4.44.7-8)A contagem de corpos em Pompeia está entre 1.000 a 1.500 cadáveres, mas considerando que as primeiras escavações são mal registradas, estes números não são confiáveis. Se somarmos os corpos não registrados mais os corpos ainda a serem descobertos nas áreas não escavadas, o número de vítimas estimado sobe para cerca de 2.500.
É impossível saber o número de pessoas que fugiram durante a erupção. Isso significa que a contagem de corpos estimada, embora seja uma informação relevante, tem pouco ou nenhum uso no quesito descobrir a população total de Pompeia.

Alguns dos detalhes sobre a sequência de eventos que se seguiram à erupção estão disponíveis para nós graças à pesquisa geológica recente. Depois que o Monte Vesúvio acordou em 24 de agosto de 79, uma espessa nuvem de cinzas vulcânicas se moveu em direção a Pompeia, depositando uma camada de cinzas e detritos em cima das ruas e edifíciosConforme as cinzas e resíduos vulcânicos continuaram a cair sobre a cidade, alguns dos edifícios e estruturas começaram a sucumbir. Eles começaram a ceder quando o peso do material vulcânico acumulado tornou-se cada vez mais e mais pesado. Neste ponto, a camada de cinza pode ter tido cerca de 2,8 metros de espessura. Os habitantes de Pompeia também foram capazes de sentir alguns tremores intensos da Terra, e o calor da encosta do Vesúvio deve ter sido perceptível.
Em 25 de agosto, possivelmente por volta das 7:30 da manhã, um fluxo piroclástico alcançou Pompeia, destruindo as moradias ao redor da cidade. Uma segunda onda de gás quente vulcânico e pedra movendo-se a 100 quilômetros por hora atingiu Pompeia um pouco mais tarde, desta vez transbordando os muros da cidade e matando todos os seres vivos lá dentro.
Mais algumas ondas se seguiram. No momento em que estava tudo acabado, Pompeia foi enterrada sob 5 metros de material vulcânico. As pontas dos edifícios mais altos eram a única coisa visível.Pompeia foi redescoberta acidentalmente em 1594, durante a escavação de um canal de água. Por puro acaso, os trabalhadores descobriram afrescos nas paredes e uma inscrição contendo o nome da cidade.
Naquela época, o nome Pompeia foi interpretado como uma referência a Pompeu, o Grande, um renomado comandante militar romano que viveu no primeiro século aC. Como resultado desse erro, os restos descobertos foram inicialmente interpretados como fragmentos de uma casa grande que (supostamente) pertencia a Pompeu, o Grande.Quando o arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli assumiu o controle das escavações em Pompeia, em 1863, notou a ocorrência regular de espaços vazios ocasionais nas camadas de cinza vulcânica. O tamanho e forma destas áreas vazias eram consistentes com o tamanho e a forma de corpos humanos.Ele então percebeu que os vazios eram o resultado de corpos humanos que haviam sido decompostos, deixando para trás uma pista nas cinzas. Em 1870, ele desenvolveu uma técnica que permitia recuperar a forma dos corpos mortos através da injeção de gesso para dentro das cavidades.
Os vazios atuaram como um molde, e o produto final foi a recriação da forma das vítimas com precisão surpreendente. Esta técnica foi melhorada mais tarde, utilizando uma fibra de vidro transparente em vez de gesso.
A fibra de vidro tem uma vantagem: os restos nas cavidades (por exemplo, ossos e vários artefatos) foram mantidos dentro do molde, de forma visível. Centenas de moldes de gesso podem ser visto
